sexta-feira, 21 de março de 2025

Primeiro relógio de pulso fabricado no Brasil

    Trata-se da empresa Hora Norte S.A. pertencente ao grupo denominado Empresa Brasileira de relógios S/A ou Hora S/A. 

A Hora Norte foi estabelecida em Garanhuns PE em 1971 com apoio da SUDENE. Colocou o Brasil no mapa dos fabricantes de relógios de pulso. Foi a primeira fábrica de relógios da América latina e de acordo com algumas publicações da época, a primeira do hemisfério sul. 





Fotos recentes da antiga fábrica em Garanhuns PE









    De fato, foi de um pioneirismo impressionante, presidido por Edgar Oscar Kocher. Suíço que veio para o Brasil com sua família no início do século passado. Naturalizou-se e ganhou o título de cidadão garanhuense em 1976. 



A Fábrica foi um marco para a Suíça pernambucana, gerando mais de 200 empregos diretos e muitos outros indiretos na região do agreste meridional. Comercializando relógios a preços acessíveis na região. 
Eram relógios mecânicos de corda manual despojados de rubis e com mecanismo bastante simplificado.
Abaixo o leitor encontra anúncios da época com a comparação de preços. 













Matéria da revista Manchete de 1971 mostrando a montagem de um Megalo de Luxe Ind. Bras. 






No portfólio da fábrica de Garanhuns encontravam-se os relógios Megalo, Megalo de Luxe, Nortex, Nortex de Luxe e em 1975 o Nortex Pelé (Escreverei a respeito nos próximos posts). 

O grupo Hora também fabricava as marcas Eska, HORASA e Royce Swiss made. Interessante que a família do Sr. Edgar já fabricava relógios Swiss Made da marca Megalo e Eska. 

Portanto o leitor poderá encontrar Megalos com o marcador Ind. Bras. (Raríssimos) ou Swiss made, bem mais fáceis de encontrar. 

Segue fotos de um legítimo Megalo de Luxe Ind. Bras. no mostrador. 









Os relógios Nortex também foram exportados para o mercado europeu. 






Gostaria de ressaltar outra fábrica de relógios no estado de Pernambuco que alguns costumam confundir afirmando pertencer ao mesmo grupo da Hora Norte S/A ou Nortex. 

O que não corresponde com os registros históricos. Refiro-me a Marca de relógios Grão Duque. No próximo post falarei mais a sobre esta marca.






quarta-feira, 19 de março de 2025

Relógio do Santos Futebol Clube e a Indústria brasileira de relógios mecânicos de pulso

    Em 1975 era lançado o relógio mecânico de pulso Nortex Pelé com assinatura do rei do futebol no mostrador e a indicação “Ind. Bras.” abaixo das seis horas. O lançamento foi em Garanhuns PE, onde ficava a fábrica e contou com a ilustre presença do grande Edson Arantes na cidade. 

 Posteriormente os relógios da marca Nortex passaram a ser fabricados na Zona Franca de Manaus como Eska Nortex. E em 1983 o Santos F.C. lançou uma campanha para arrecadação de fundos para investimento no seu estádio e no mundial interclubes. A recompensa para quem pagava o Super-carnê até o fim era um relógio de pulso mecânico com corda manual da marca Eska Nortex fabricado em Manaus, além de sorteios.



Infelizmente a campanha do time não obteve o sucesso esperado e muitos dos relógios Eska Nortex Ind. Bras. foram devolvidos num acordo comercial com a fábrica. Percebeu-se desta forma a baixa qualidade dos relógios.
    Eram relógios mecânicos de corda manual com mecanismo e material bastante simples, com um preço bastante baixo, o que fez com que muitos sobreviventes estejam parados, engavetados. 

Hoje em dia são relógios que se destacam por fazerem parte da empresa que fabricou os primeiros relógios de pulso no Brasil e não pela qualidade. O valor histórico deve-se ao orgulho de ser produção nacional ou indústria brasileira, conforme indicavam nos mostradores e nos mecanismos. 

Até mesmo as pulseiras de metal eram bastante simples e de fabricação nacional.
Abaixo seguem fotos de um exemplar New old Stock ainda com o selo e funcionando.
Nas próximas postagens contarei mais a respeito dessa fábrica que começou em 1971 aqui no Brasil e foi pioneira na América Latina. Um verdadeiro marco da industria nacional de relógios de pulso. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Começo com um marco da indústria automobilística brasileira: a Chrysler e sua linha Dodge V8.

Um capítulo muito interessante desta história é o fato de que as antigas concessionarias Chrysler estão voltando a moda na forma de fotos e relatos de antigos funcionário das mesmas.

Tem um item que em especial me chamou atenção; os chaveiros destas revendas.
Eles ganharam valor considerável nos últimos tempos, sendo tratados como parte dos Dodge Charger R/T, Dart, Magnum...

Quem tem um modelo como os citados correm atrás destes chaveiros das revendas como se fossem peças faltantes de seus carros. Pra lhes proporcionarem mais originalidade.

Isso inflacionou essas lembranças que na época eram distribuídos como brindes pros felizes compradores.

Uma concessionaria em especial me chamou atenção: a Bresolin que ficava em Cascavel e Esfera PR.

Não conheço muito da historia da mesma, mas com base em um chaveiro que adquiri em leilão há pouco tempo posso dizer que ela estava instalada a muito, desde 1960 até 1980 como revenda Chrysler, portanto ao longo dos seus 20 anos ela viu o surgimento e a queda dos Dodge V8. Mais interessante ainda é que essa revenda teve uma participação em outro capítulo dos nossos queridos Dodges.

Na década de 80, no auge do abandono dos Dojões, a concessionaria que antes vendia sonhos em forma de carros agora fornecia autopeças para os pés-de-chumbo da região Sul na categoria HOT DODGE.
Ou seja, essa categoria automobilística usou, não só, boa parte dos carros, mas também uma boa parte de peças de reposição, talvez assim inflacionando as peças da linha Chrysler nacional hoje em dia. 

Particularmente não condeno a HOT DODGE. Ela tem um lugar especial na historia da Chrysler no Brasil. Ela é uma prova documental de quão potentes esses carrões são.

Hoje em dia a HOT DODGE não existe mais. Isso porque os Dodges ganharam um valor que na década de 80 não tinham. Era mais fácil encontrar Chargers e Darts abandonados nas calçadas ou trocados por rádios, vitrolas ou bicicletas. E a categoria HOT DODGE de uma forma despojada deu uma sobrevida pra esses carros atingirem hoje valores de carros de luxo zero km. Tentem trocar uma bicicleta por um Dodge Charger hoje em dia.

A conclusão que chego é de que a HOT DODGE também faz parte da história da Chrysler no Brasil. Não com a glória do inicio, mas com a realidade do final.

Veja o vídeo no tempo 16:56 o anuncio da Bresolin Autopeças na corrida de Cascavel na década de 80.


As fotos denunciam o patrocínio da Bresolin em alguns carros da competição.